Jean Ayres, a terapeuta ocupacional que desenvolveu essa especialidade, define a integração sensorial como sendo a organização de informações sensoriais, proveniente de diferentes canais sensoriais e a habilidade de relacionar estímulos de um canal a outro, de forma a emitir uma ação apropriada, na qual o indivíduo responde com sucesso a alguma demanda ambiental.

O bebê não nasce com estratégias e conhecimento prontos para perceber as complexidades dos estímulos ambientais. Somente com o tempo e através da interação com o mundo o bebê aprende a ver e escutar com sentido, ou seja, aprende a usar seus órgãos sensoriais e a atribuir significado às sensações.

Os sentidos operam por meio de órgãos ou receptores sensoriais que captam estímulos sensoriais do ambiente e os transmitem ao cérebro para que sejam processados, organizados e interpretados. Quando esse processamento ocorre de forma inadequada acarreta em desordens na linguagem, nas relações sociais e nas interações cognitivas e propositadas.

Todo indivíduo tem um perfil sensorial próprio, há pessoas que gostam muito de movimento, de ir em montanha russa, como há outras que não gostam, há aquelas que preferem trabalhar em silêncio, como há quem só consiga produzir com uma música de fundo. Tudo isso são características de natureza sensorial. Quando essas características afetam seu desempenho nos papéis ocupacionais, é sinal de que o indivíduo, ou mais comumente, a criança tenha transtorno do processamento sensorial.

Crianças que não sobem degraus ou recusam determinadas texturas de alimento, por exemplo, apresentam uma resposta ao processamento dos estímulos vestibulares e táteis, respectivamente, muito exageradas, caracterizando o transtorno do processamento sensorial. Esse diagnóstico só é definido após avaliação e testes próprios realizados por um terapeuta ocupacional.

A integração sensorial é essencial, portanto, para que o indivíduo desempenhe adequadamente suas atividades da vida diária. Por exemplo, para a criança poder escrever, precisa integrar e organizar os estímulos provenientes da visão para ver e reconhecer as propriedades do caderno, do lápis, onde termina a folha e começa a mesa, o espaço entre as linhas e sua própria letra, os estímulos vestibulares que permitem ajustar a posição do seu corpo e de seus olhos, os advindos do sistema proprioceptivo, que dão informações ao cérebro onde seus membros estão posicionados (sentada na cadeira, segurando o lápis) e os do tato para segurar o lápis e o caderno.

Esse foi exemplo de uma das várias atividades que realizamos no nosso cotidiano, e todas demandam a integração sensorial. Por isso, é tão importante identificar as desordens de natureza sensorial e tratá-las.

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